Cotidiano | 28/08/2026 | Atualizado em: 28/08/26 ás 14:56

De Zara ao Starbucks: se Jaraguá é a “cidade dos bilionários”, por que muitas marcas ainda não chegaram aqui?

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De Zara ao Starbucks: se Jaraguá é a “cidade dos bilionários”, por que muitas marcas ainda não chegaram aqui?

Fotos: Divulgação

Não é de hoje que Jaraguá do Sul é associada a cidades brasileiras com alto poder econômico. A presença de grandes empresas, a geração de riqueza e a renda elevada colocaram o município em destaque no cenário nacional. Não à toa, a cidade ganhou o apelido de “cidade dos bilionários”, em referência aos empresários locais que aparecem entre os mais ricos do país.

Diante deste cenário, muitos jaraguaenses ainda questionam: se existe mercado, renda e consumidores interessados, por que algumas marcas famosas ainda não abriram lojas por aqui?

Para entender quais fatores influenciam essa decisão, conversamos com Gabriel Rocha, superintendente regional comercial do Grupo Partage, responsável pelo shopping Partage Jaraguá do Sul – empreendimento que acolhe grandes marcas na cidade, como C&A, Havaianas, Hering, YouCom, Beagle, Arezzo, Live e We Pink.

Segundo ele, a escolha de uma cidade por uma marca envolve uma série de análises, que vão muito além do número de habitantes ou da disponibilidade de um espaço comercial.

“Cada marca tem um parâmetro próprio de adensamento, perfil de público e classe de público. A grande maioria trabalha com ferramentas com métricas definidas e ajustáveis, como o Geofusion, que cruzam dados de população, renda, perfil de consumo e características da região para estimar o potencial de uma nova operação”, explica Gabriel.

>> Leia também: Do Starbucks ao Outback: 9 franquias que todo jaraguaense sonha em ver por aqui

Fachada do restaurante Divino Fogão na praça de alimentação do Partage Jaraguá do Sul.
Recentemente o shopping Partage Jaraguá do Sul recebeu uma filial da franquia Divino Fogão, com foco em comida de fazenda. | Foto: Divulgação/Partage Jaraguá do Sul/JDV

Uma cidade pode valer mais do que seus próprios números

Para as marcas, o potencial de uma nova operação não termina nas fronteiras do município. A análise considera também a capacidade daquela cidade de atrair consumidores de outras regiões, formando uma área de influência que pode ampliar o alcance da loja.

No caso de Jaraguá do Sul, esse fator tem peso porque o município funciona como referência para moradores de cidades próximas que buscam comércio, serviços e opções de lazer.

“Nas análises, inclui-se também quaisquer cidades próximas que tenham Jaraguá como referência para passeio e compras”, afirma Gabriel.

Essa visão regional ajuda as empresas a entenderem o tamanho real do mercado. Uma operação pode ser planejada não apenas para atender quem mora na cidade, mas também para receber consumidores que já têm o hábito de se deslocar até Jaraguá do Sul.

Antes de abrir, a marca quer entender quem vai comprar

Outro ponto decisivo é conhecer o perfil do consumidor. Para uma empresa, não basta identificar quantas pessoas vivem em uma região. É preciso entender se aquele público tem relação com a proposta da marca e com os produtos ou serviços oferecidos.

Segundo Gabriel Rocha, as empresas costumam analisar hábitos de consumo, preferências e características do público-alvo antes de avançar com uma nova operação.

“As marcas precisam e gostam de entender o público-alvo no detalhe, muitas vezes realizando pesquisas próprias”, destaca.

Esse estudo ajuda a identificar se existe aderência entre a marca e o consumidor daquela região. Uma cidade pode apresentar bons indicadores econômicos, mas a empresa ainda precisa avaliar se aquele mercado faz sentido para o seu modelo de negócio.

Entre o desejo dos consumidores e a inauguração, existe um longo caminho

Mesmo quando uma cidade entra no radar de uma marca, a chegada de uma nova loja pode levar tempo. Antes do anúncio ao público, existem etapas de análise, negociação e validação que acontecem nos bastidores.

O prazo varia conforme o segmento e a estrutura da operação. Algumas marcas conseguem concluir o processo em poucas semanas, enquanto outras passam por estudos e negociações que podem durar mais de um ano.

“Vai depender do tipo da marca. Algumas operações, como restaurantes nacionais e internacionais, têm análises e negociações que levam mais de um ano, enquanto outras marcas concluem e validam em semanas”, explica Gabriel.

Por isso, entre o consumidor começar a pedir uma determinada marca e a loja finalmente abrir as portas, existe um caminho que envolve decisões comerciais, estudos de mercado e planejamento.

Como isso impacta sua vida?

Para quem acompanha a chegada de novas lojas, entender esse processo ajuda a explicar por que algumas marcas parecem demorar muito para chegar aqui. Cada empresa avalia se aquele mercado combina com sua estratégia, seu público e seu momento de expansão. No fim, antes de uma nova marca escolher uma cidade, a pergunta que precisa ser respondida é: existe um mercado capaz de sustentar essa operação?

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Gabriela Bubniak

Jaraguaense de alma inquieta e jornalista apaixonada por contar boas histórias. Tenho fascínio por livros, música e viagens, mas o que me move é viver a energia de um bom futsal na Arena e explorar o que há de melhor na nossa terrinha.

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