Cotidiano | 31/03/2026 | Atualizado em: 31/03/26 ás 16:11

7 hábitos do seu dia a dia que podem estar poluindo os rios de Jaraguá do Sul e região

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7 hábitos do seu dia a dia que podem estar poluindo os rios de Jaraguá do Sul e região

Foto: Pixabay/aitoff

Quem mora em Jaraguá do Sul convive diariamente com uma riqueza natural que pode passar despercebida: os rios. No trajeto para o trabalho, ao cruzar pontes ou simplesmente olhar a paisagem, é fácil avistá-los. Eles cortam a cidade e fazem parte do cenário urbano.

Mas o Rio Itapocu e seus afluentes não apenas desenham o território, como também são responsáveis pelo abastecimento das cidades do Vale do Itapocu. E é justamente por percorrer diferentes cidades e áreas urbanas que a qualidade dessa água pode ser impactada ao longo do caminho, se não for bem tratada e cuidada.

Foto: Divulgação

>> Leia também: Quais são, onde nascem e para onde vão os rios de Jaraguá do Sul e região? Veja nos mapas

E, sim, a responsabilidade também é nossa. Muitas vezes, hábitos comuns dentro de casa ou nas ruas acabam contribuindo para a poluição dos rios sem que as pessoas percebam. Isso porque aquilo que desce pelo ralo da pia, escorre pelo box do banheiro ou some dentro de um bueiro na rua pode fazer um caminho direto até os rios.

O JDV, em parceria com a Amvali (Associação dos Municípios do Vale do Itapocu), buscou entender quais atitudes frequentes do dia a dia do jaraguaenses que precisam mudar para ajudar na preservação dos rios da região.

Confira 7 coisas que você precisa mudar para não poluir os rios de Jaraguá do Sul

1. Jogar óleo de cozinha pelo ralo da pia

Este é um dos erros mais comuns dentro das casas de Jaraguá – e também de outras cidades da região. O óleo descartado na pia não desaparece: ele se acumula nas tubulações, provoca entupimentos e aumenta os custos de operação do sistema de esgoto.

Água escoando pelo ralo de pia representando o caminho do esgoto até os rios
Foto: Pixabay

O impacto não para por aí. Quando esse resíduo chega aos rios, ele forma uma camada na superfície da água que impede a troca de oxigênio.

“Esse óleo cria uma película que reduz a oxigenação da água e pode causar a morte de peixes e outros organismos”, explica Déborah Melo Alflen, coordenadora de Qualidade e Meio Ambiente do Samae de Jaraguá do Sul.

2. Usar o vaso sanitário como lixeira

Lenços umedecidos, absorventes, fraldas, plásticos e outros resíduos ainda são descartados com frequência pelo vaso sanitário.

Esses materiais não se dissolvem e acabam prejudicando toda a rede de esgoto, causando entupimentos e danos nas estações de tratamento. Em situações mais críticas, podem provocar extravasamentos.

Quando isso acontece, o resultado é: o esgoto sem tratamento pode acabar indo parar nos rios, contaminando a água e comprometendo o equilíbrio ambiental.

3. Jogar lixo na rua ou no bueiro achando que “some”

Bitucas de cigarro, embalagens, papéis, areia ou restos de obra ainda são descartados com frequência nas ruas ou diretamente nos bueiros.

O problema é que o bueiro não é lixeira. Ele faz parte da rede de drenagem da cidade, que está ligada diretamente aos rios e não passa por nenhum tipo de tratamento.

Com a chuva, todo esse material é arrastado rapidamente até os cursos d’água. Além de poluir, o acúmulo de resíduos também pode entupir a rede e causar alagamentos, muitas vezes na própria casa de quem fez o descarte incorreto.

4. Jogar restos de comida na pia

Pode parecer inofensivo, mas esse hábito também tem impacto. Restos de alimentos aumentam a carga orgânica do esgoto, dificultando o processo de tratamento nas estações.

Isso exige mais esforço do sistema para remover a poluição e pode comprometer a eficiência do tratamento. Na prática, isso influencia diretamente na qualidade da água que retorna ao meio ambiente.

5. Exagerar no uso de produtos de limpeza

Usar mais produto não significa limpar melhor. O excesso de detergentes, desinfetantes e outros produtos químicos gera resíduos que seguem pela rede de esgoto.

Mãos lavando esponja com detergente em balde com espuma e água
Foto: Pixabay / Myriams-Fotos

Essas substâncias podem chegar aos rios e provocar alterações na água, como formação de espuma e impactos na vida aquática.

Além do desperdício, esse hábito contribui para aumentar a carga de poluentes que o sistema precisa tratar diariamente.

6. Descartar medicamentos no ralo ou vaso sanitário

Pouca gente sabe, mas jogar medicamentos líquidos, pomadas ou restos de remédios na pia ou no vaso sanitário pode contaminar a água.

Os sistemas de tratamento convencionais não conseguem remover completamente essas substâncias químicas. Como resultado, elas acabam chegando aos rios.

“A contaminação da água afeta diretamente a saúde de toda a população”, alerta Déborah.

7. Fazer ligações irregulares de esgoto

Esse é um problema menos visível no dia a dia, mas um dos mais graves. Quando o esgoto doméstico é ligado de forma irregular na rede de drenagem da chuva, ou até despejado diretamente em valas, córregos ou rios, ele deixa de passar pelo tratamento adequado.

Na prática, isso significa que toda a carga de poluição gerada dentro de uma residência vai direto para os rios.

“Quando o esgoto não passa pela estação de tratamento, ele causa contaminação imediata do curso d’água”, explica a coordenadora do Samae.

Do ralo ao rio: o caminho que conecta tudo isso

Depois de usada em casa, a água deixa de ser considerada limpa e passa a ser esgoto doméstico. Esse volume percorre as tubulações internas, segue até a rede coletora nas ruas e, de lá, é encaminhado para as Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs).

É nesse momento que entra uma das etapas mais importantes de todo o sistema. Nas estações, o esgoto passa por um processo de tratamento que separa a parte sólida da líquida, removendo a maior parte da carga poluidora antes de devolver a água ao meio ambiente.

Após esse processo, a água tratada retorna aos rios em condições adequadas, ajudando a manter o equilíbrio ambiental ao longo de toda a bacia.

>> A gente explica isso tudo em detalhes nesta matéria aqui: Como chega e para onde vai a água da torneira da sua casa? Entenda o ciclo em Jaraguá e região

Mas esse sistema só funciona como deveria quando o que entra nele também está dentro do esperado.

Quando há descarte incorreto de resíduos ou ligações irregulares, o processo pode ser comprometido. E, nesses casos, o impacto não fica escondido na tubulação: ele volta para os rios.

Saiba como denunciar casos de poluição nos rios

Situações como água com cor alterada, presença de óleo, mau cheiro ou até peixes mortos podem indicar contaminação nos rios da região. Ao identificar qualquer irregularidade, a orientação é acionar os órgãos responsáveis o quanto antes, para que a situação possa ser investigada e as medidas necessárias sejam tomadas.

Água contaminada no Rio Itapocuzinho afetando abastecimento de água em Guaramirim
Água contaminada no Rio Itapocuzinho afetou o abastecimento de água em Guaramirim, em agosto de 2025. | Foto: Prefeitura de Guaramirim

Em Jaraguá do Sul, a população pode entrar em contato com a Fujama (Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente), pelo (47) 3409-0290. O órgão é um dos responsáveis pela fiscalização ambiental no município.

Também é possível acionar a Polícia Militar, pelo telefone 190, ou a Polícia Militar Ambiental, pelo (47) 3431-8784, que atua em casos relacionados a crimes ambientais.

Quanto mais rápido o problema for comunicado, maiores são as chances de identificar a causa e evitar que a contaminação se espalhe ao longo dos rios da região.

Como isso impacta sua vida?

Jaraguá do Sul é referência nacional em saneamento, com altos índices de coleta e tratamento de esgoto. Mesmo assim, os rios da região continuam dependendo diretamente do comportamento da população. Pequenas mudanças de hábito fazem diferença real na qualidade da água, na preservação dos rios e na garantia de abastecimento para o futuro.

>> Leia também: Belezas do Vale do Itapocu: 10 refúgios perfeitos para relaxar às margens dos rios da região

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Gabriela Bubniak

Jaraguaense de alma inquieta e jornalista apaixonada por contar boas histórias. Tenho fascínio por livros, música e viagens, mas o que me move é viver a energia de um bom futsal na Arena e explorar o que há de melhor na nossa terrinha.

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