Jaraguá

HSJ: Há 85 anos cuidando da saúde de Jaraguá do Sul e região

O lugar foi entregue a comunidade no dia 22 de novembro de 1936, tem em suas origens o espírito associativista e acolhedor, sempre pensando em prol da comunidade

24/11/2021

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Jornalista apaixonada por cultura e segurança pública

HSJ: Há 85 anos cuidando da saúde de Jaraguá do Sul e região

Divulgação/HSJ

Se tem uma coisa que todo jaraguaense pode e deve se orgulhar, é da qualidade da saúde que temos no município. E muito se deve ao hospital São José.

De origem latina, a palavra Hospital é derivada da palavra Hospilalis que significa “casa para hóspedes”. O lugar que foi entregue a comunidade no dia 22 de novembro de 1936, tem em suas origens o espírito associativista e acolhedor, sempre pensando em prol da comunidade.

Prova disso, foi a criação da Sociedade Hospitalar de Jaraguá, em 1926, onde o sonho de construir o hospital de fato começou a ganhar forma. Mas, somente dez anos depois, a construção ficou pronta e a inauguração foi marcada por uma festa popular beneficente.

Em 1939, os trabalhos na unidade foram assumidos pelo médico Dr. Renato Câmara e as irmãs de Maria de Schoenstatt para os trabalhos de parteira e enfermeira, ficando no hospital por dez anos. A atual sede, localizada na Rua Dr. Waldemiro Mazurechen, no Centro, foi apresentada e aprovada pelos órgãos públicos em 1953.

O hospital mudou de administração em fevereiro de 1960, passando para as irmãs da Sociedade Divina Providência que fizeram melhorias e obras para atender com mais qualidade aos pacientes na ala médica e pronto socorro.

E quem lembra dessa época com carinho, é a telefonista do hospital Iria Hein. Ela foi convidada por uma das irmãs para trabalhar na unidade e entrou para o corpo de funcionários em fevereiro de 1980.

Iria Hein, telefonista há 42 anos do HSJ (Foto: Malu da Silva)

De acordo com ela, na época o hospital tinha poucas alas – ala Santo Antônio, clínica médica, maternidade, berçário, centro cirúrgico e raios X – e apenas dois telefones, separados por um corredor.

“Era uma correria. Eram dois telefones desses comuns de casa. Um ficava na recepção – no antigo redondo – e outro em uma salinha onde hoje vai para o hospital dia”, lembra.

Os telefones não transferiam ligação como hoje em dia. Então, era necessário localizar o médico, por exemplo, e pedir para ele ir até a recepção e ligar para a paciente.

E quando os dois telefones tocavam juntos, Iria atendia os dois e dizia “hospital São José um momento, por favor”.

Com o passar do tempo as coisas foram evoluindo e a telefonista lembra que o hospital Santa Isabel, de Blumenau, que é da mesma congregação do São José, comprou um aparelho telefônico mais sofisticado e doou ao hospital jaraguaense o PABX.

“Com esse aparelho, a correria terminou, pois já conseguia transferir a ligação para o setor”, lembra.

Segundo Iria, a principal diferença entre o PABX e o computador que usa atualmente para a trabalhar, é a velocidade, onde o aparelho usado na época era rápido.

“Mesmo o sistema sendo mais lento hoje em dia, eu amo isso e faria tudo de novo”, afirma ela emocionada.

E a memória de Iria continua bem ativa mesmo após 44 anos na função, pois ela sabe muitos telefones de cor, inclusive os dois finais dos primeiros números do hospital. Um era fkn 0714 e o outro era 0514.

O DNA do hospital São José se confunde com a história pessoal dela e vice-versa, assim como com a da copeira Edna Cordeiro Ribeiro dos Santos.

Assim como Iria, o carinho que Edna tem pelo hospital e a função que exerce há 18 anos, é perceptível em cada palavra de carinho e no olhar.

“Eu sirvo os pacientes no quarto e vejo o carinho que eles e a família precisam, ainda mais nesse momento de pandemia.”

Sempre atenta, a copeira se preocupa com os pacientes e se algum não come, ela pergunta se não gostou da comida e tenta agradar.

“Uma paciente que estava na UTI não comia e perguntei porquê. Daí ela disse que não gosta de café, do pão com margarina e queijo e que gostava de geléia. Quando ela saiu da UTI e foi para o quarto, a filha dela me deu R$ 2 e me disse que não tinha mais para me dar e que era para eu comprar uma lembrancinha. Eu via que ela estava dando, mas não podia me dar e disse que aquele era o meu trabalho, mas ela disse que era em agradecimento pelo cuidado que tive com ela”, lembra emocionada. Este fato aconteceu em 2007 e Edna nunca se esqueceu daquele gesto.

Edna Cordeiro Ribeiro dos Santos, copeira há 18 anos na unidade (Foto: Malu da Silva)

É perceptível o carinho que ela tem pela cozinha e pelos pacientes. De acordo com Edna, o hospital sempre dá chance para os colaboradores mudarem de área e ela fez inclusive o curso de recepcionista e telefonista, mas não se vê trabalhando com isso. “Eu amo trabalhar na copa”, enfatiza.

E esse comprometimento e amor é visto em cada colaborador, em cada gesto, em cada detalhe. Segundo o diretor-geral do hospital São José, Maurício Souto-Maior, é esse espírito associativista aliado pelo propósito que é atender as pessoas, que o fazem continuar há 14 anos.

Maurício chegou ao hospital em 2007 e como ele mesmo diz “desde que cheguei, o hospital nunca deixou de ser um canteiro de obras”.

A reestruturação do São José começou em 2004, quando as irmãs e a Associação Empresarial firmaram um termo de cooperação, visando o que seria o hospital e o preparando para o futuro.

“Os registros da época são de que o hospital era precário em instalações físicas e havia demandas na área assistencial como pronto socorro e UTI e as irmãs não tinham mais condições de tocar o hospital e por uma decisão estratégica procuraram o empresariado que abraçou o desafio e estabeleceu um conselho deliberativo.”

O conselho, como lembra o diretor-geral e o próprio presidente Paulo Chiodini, é voluntário. Ninguém recebe para estar ali.

Pandemia 

Quase dois anos após o início da pandemia, o hospital São José, de Jaraguá do Sul, já sabe como lidar com o vírus. Conforme Maurício, as ações imediatas da unidade, em abril de 2020, foram conter a ansiedade dos colaboradores que estavam na linha de frente.

Maurício Souto-Maior, diretor-geral do hospital (Foto: Malu da Silva)

“Enfrentamos falta de insumos como medicamentos, luvas e máscaras, falta de mão de obra e desconhecimento, mas com uma condução muito calma, determinada e com seriedade”, afirma.

Para o diretor-geral da unidade, para além dos números negativos, o coronavírus mostrou que a equipe multidisciplinar do hospital está preparada e nenhum colaborador, nem mesmo aqueles que podiam trabalhar de casa, o fizeram.

“O lado bom da pandemia, podemos dizer assim, é que aperfeiçoamos e criamos habilidades. E como ninguém arredou o pé, um motiva o outro”, salienta.

Quem reforça esse compromisso é Chiodini, que está no Conselho Deliberativo há alguns anos, sendo que em 2014 foi vice-presidente e está como presidente desde 2017.

Para ele, uma das várias iniciativas vencedoras do hospital é o ONA, que é um certificado baseado na segurança do paciente.

“Menos de 5% dos hospitais do país têm essa certificação e nós temos”.

O hospital passou por grandes evoluções tecnológicas e físicas sempre buscando ainda mais a excelência. E essa busca pode ser vista com a quarta fase do plano diretor que começou em 2004.

Paulo Chiodini, presidente do Conselho Deliberativo (Foto: Reprodução)/HSJ

Ela engloba a reforma do centro cirúrgico para a implementação de hemodinâmica para a implantação do centro cardiológico. “Estamos preparando o centro cirúrgico, para quem sabe no futuro, cirurgias robóticas”, salienta.

E o hospital não para de crescer e evoluir, sempre pensando em novas possibilidades, novos procedimentos e novas tecnologias para melhor atender a população não só de Jaraguá do Sul, mas a região do Vale do Itapocu.

“O hospital completa 85 anos, mas quem está de parabéns é a comunidade de Jaraguá. O que temos aqui, infelizmente não encontramos em todo lugar, comunidade engajada em prol do bem comum”, afirma o diretor Maurício.

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