Lembra do Boteco do Bixiga? O bar que encantou Jaraguá do Sul em 2016
Inspirado nos botequins paulistas, o bar de Juliano Vengrzen tinha 700 quadros nas paredes e funcionou por pouco mais de um ano no Centro.
A fachada do Boteco do Bixiga à noite, na Rua Epitácio Pessoa, no Centro de Jaraguá do Sul. Foto: Diego Jarschel
Resumo completo
Abertura: 28 de junho de 2016, no Centro de Jaraguá do Sul
Proposta: boteco temático inspirado no bairro paulistano do Bixiga
Decoração: mais de 700 quadros e mais de 700 garrafas vazias nas paredes e prateleiras
Capacidade: salão para até 230 pessoas em dois ambientes
Dono: Juliano Vengrzen, também da pizzaria Madalena
Fechamento: 19 de setembro de 2017, pouco mais de um ano depois
Quem passou pela Rua Epitácio Pessoa entre 2016 e 2017 viu nascer e desaparecer um dos bares mais comentados de Jaraguá do Sul. O Boteco do Bixiga abriu as portas em 28 de junho de 2016 com a proposta de trazer a cultura dos botequins paulistas para o Centro da cidade, e em pouco tempo virou ponto de encontro de quem gostava de cerveja gelada, coxinha e música ao vivo.
A casa funcionava no antigo endereço da Joa Vídeo Locadora, vizinha à antiga pizzaria Madalena. Os dois negócios tinham o mesmo dono, Juliano Vengrzen, nome conhecido da noite jaraguaense.

Um pedaço de São Paulo na Epitácio Pessoa
Juliano levou cerca de 15 meses entre pesquisa e obra para entregar o Bixiga. O resultado era um salão dividido em dois ambientes, separados por um desnível de três degraus, com capacidade para 230 pessoas. Mesas altas com banquetas dividiam espaço com mesas baixas, e o palco era visível de qualquer canto da casa.
A decoração era o que mais chamava atenção. Eram mais de 700 quadros espalhados pelas paredes e outras tantas garrafas vazias nas prateleiras. Rádios antigos, vitrolas, luminárias, bombas de combustível, placas raras e até um luminoso clássico da Chocoleite compunham o cenário.
Junto ao balcão, um linguiceiro e uma vitrine de frios davam ao ambiente cara de mercearia antiga, no estilo dos botequins tradicionais de São Paulo.













A coxinha que queria ser a melhor do Brasil
O cardápio seguia a mesma lógica temática. A casa apostava em receitas garimpadas nos mercados públicos e botequins paulistas, com sete tipos de bolinho e quatro variedades de coxinha.
Conteúdos em alta
“A melhor coxinha do Brasil” era a meta declarada da casa.
A feijoada era o prato principal, mas o destaque ficava por conta de pratos como o pão com linguiça fresca e o churrasco servido ao modo “festa de igreja”. A lista de salgados ainda trazia pastel de feira, torresmo, mandioca frita, linguiça caracol, moela ao molho de cerveja e caldinho de feijão. Para fechar, churros, brigadeiro de colher e picolé.
Na parte das bebidas, eram 20 rótulos de cerveja artesanal e quatro tipos de chopp Eisenbahn. As caipiras viravam atração à parte, servidas no jarro e com receitas de nomes curiosos como “Delegada da Zona Leste” e “Paróquia Bixigão”.

Música ao vivo de segunda a segunda
O Bixiga abria todos os dias. De segunda a sexta, a partir das 17h; aos sábados e domingos, já ao meio-dia, com feijoada no almoço de sábado e churrasco no domingo. Quartas, sábados e domingos tinham música ao vivo, com sertanejo, MPB e samba no repertório.
A casa não trabalhava com reservas e a taxa de serviço era opcional. Por pouco mais de um ano, foi um dos endereços mais movimentados da noite no Centro.












O fim e a despedida nas redes
O Boteco do Bixiga fechou as portas em 19 de setembro de 2017. Funcionou por quase o mesmo tempo que levou para ser construído, pouco mais de um ano. A casa anunciou o encerramento em suas redes sociais com um texto de despedida.
“Parece que foi ontem que tomamos a primeira saideira juntos aqui no Boteco do Bixiga, mas dessa vez a saideira vai ser de coração apertado”, dizia o comunicado da casa.
O anúncio reuniu centenas de comentários. A maioria lamentava o fim do bar, marcava amigos e relembrava encontros, aniversários e rodadas de caipirinha, a bebida que virou símbolo da casa. Não foram poucos os que disseram não ter tido tempo de conhecer o lugar antes do fechamento. Para muitos clientes, o Bixiga tinha virado ponto de encontro fixo.

O que veio depois
Antes do Bixiga, Juliano Vengrzen já comandava a pizzaria Madalena, uma das mais queridas que a cidade já teve; mas ele decidiu buscar novos desafios e seguir carreira na gastronomia. Hoje está à frente de vários restaurantes em Balneário Camboriú. No ponto da Epitácio Pessoa, onde antes ficava o boteco paulistano, funciona atualmente o Deck do Nilo.
Juliano nos enviou uma mensagem relembrando esse período; para ele, a maior lembrança que guarda é o carinho que recebeu dos jaraguaenses.
“Sou muito grato por essa cidade maravilhosa que amo de paixão, pelos meus clientes únicos e pelas amizades construídas durante tantos anos. Tenho uma gratidão e um carinho infinitos por todos. Agradeço a Deus por ter tido a oportunidade de viver em uma cidade tão maravilhosa e com pessoas mais maravilhosas ainda. Jaraguá eu amo”, escreveu.

Como isso impacta sua vida?
Jaraguá do Sul acumula endereços que marcaram uma geração e hoje só existem na memória de quem frequentou. O Bixiga foi um deles: durou pouco, mas deixou lembrança em quem dividiu uma mesa por lá. Relembrar esses lugares é também entender como a cena de bares e restaurantes da cidade se transformou na última década.
Max Pires
Já criei blog, portal, startup… e agora voltei pro que mais gosto: contar histórias que fazem sentido pra quem vive aqui. Entre um café e um latido dos meus cachorros, tô sempre de olho no que importa pra nossa cidade.