A escola ficou no passado? Especialistas italianas vêm a Jaraguá discutir o futuro da educação infantil
| Palestra sobre educação infantil reúne profissionais para discutir o desenvolvimento das crianças e novas abordagens pedagógicas. Foto: Divulgação

A escola ficou no passado? Especialistas italianas vêm a Jaraguá discutir o futuro da educação infantil

Max Pires

/ Por Max Pires

Seminário internacional neste sábado (7) reúne educadores brasileiros e italianos para debater novas formas de ensinar e aprender na primeira infância.

Resumo da matéria

Jaraguá do Sul recebe duas pedagogistas italianas ligadas à abordagem Reggio Emilia para discutir o futuro da educação infantil, a autonomia das crianças e os desafios das escolas.

As crianças de hoje crescem cercadas por novas tecnologias, diferentes formas de comunicação e maneiras de descobrir o mundo. Mas será que as escolas estão acompanhando essas mudanças? Essa é uma das questões que estarão em discussão em Jaraguá do Sul neste sábado (7), durante um encontro internacional dedicado ao futuro da educação infantil.

O II Seminário Internacional de Educação Olim vai reunir especialistas brasileiros e duas pedagogistas italianas ligadas à abordagem Reggio Emilia, desenvolvida no norte da Itália e reconhecida internacionalmente por valorizar a criatividade, a autonomia e a participação das crianças no processo de aprendizagem.

Com o tema “A escola à altura dos desafios das infâncias”, o evento acontece das 8h às 18h, no Centro Empresarial de Jaraguá do Sul (CEJAS), e propõe uma reflexão sobre o que precisa mudar na maneira como as escolas recebem, escutam e educam as crianças.

O que as crianças podem ensinar às escolas?

Uma das provocações que orientam o seminário é a pergunta: “O que as infâncias sabem que a escola ainda precisa reaprender?”. A discussão parte da ideia de que as experiências e necessidades das crianças mudaram, enquanto muitas práticas educacionais continuam organizadas a partir de modelos tradicionais.

Entre as abordagens que estarão em debate está a Reggio Emilia, que surgiu na Itália após a Segunda Guerra Mundial e ganhou reconhecimento internacional por sua maneira de compreender a infância. Nessa perspectiva, a criança participa ativamente da construção do conhecimento, e atividades como brincar, investigar, desenhar, experimentar e explorar os ambientes fazem parte do aprendizado.

Essa proposta já tem ligação com Jaraguá do Sul. Em 2024, o JDV apresentou o projeto da Escola Olim, inspirado na abordagem Reggio Emilia, que valoriza a escuta das crianças, o contato com a natureza e o protagonismo infantil.

Especialistas italianas vão compartilhar experiências em Jaraguá

O encerramento do seminário será conduzido pelas pedagogistas Roberta Prandi e Alessandra Caprari, que apresentarão a experiência do Ateliê Learning by Languages, de Reggio Emilia, durante a palestra “O aprendizado através da linguagem do ateliê”.

Alessandra é especialista em educação infantil de zero a seis anos, com formação pela Universidade de Bologna e pela Reggio Children. Desde 2006, atua na coordenação pedagógica da Coopselios, organização italiana ligada à educação e aos serviços para a infância.

Roberta Prandi reúne 35 anos de experiência na área educacional, trabalhando na formação de profissionais na Itália e em outros países. Ela também coordena projetos internacionais da Coopselios, especialmente aqueles desenvolvidos em parceria com o Brasil.

A presença das duas profissionais permitirá que educadores da região conheçam experiências desenvolvidas na Itália e discutam como diferentes práticas pedagógicas podem contribuir para a educação infantil brasileira.

Crescimento de Jaraguá também coloca a educação infantil em debate

A discussão ganha importância em uma cidade que continua crescendo. Segundo dados apresentados pela organização do seminário, com base na plataforma Primeira Infância em Dados, crianças de zero a seis anos representam 8,71% da população de Jaraguá do Sul. O percentual é ligeiramente superior às médias de Santa Catarina (8,69%) e do Brasil (8,57%).

O crescimento populacional também amplia a importância do planejamento educacional. Jaraguá do Sul registrou 182.660 habitantes no Censo de 2022, enquanto a estimativa citada pela organização para 2026 é de 203.204 moradores.

Além da disponibilidade de vagas, o debate sobre a primeira infância envolve a qualidade dos ambientes escolares, a formação dos professores e as experiências oferecidas às crianças nos primeiros anos de vida.

A ampliação da rede municipal já faz parte dessa discussão. Em abril de 2025, o JDV noticiou a entrega de um novo Centro Municipal de Educação Infantil no bairro Czerniewicz, com capacidade para atender aproximadamente 200 crianças.

Para Antonio de Souza Júnior, doutor em Educação e diretor-executivo da Olim, promover esse tipo de discussão é também uma maneira de pensar o futuro da cidade.

“Acreditamos que transformar a educação também é transformar a cidade”, afirma. Segundo ele, a iniciativa busca aproximar Santa Catarina de novas práticas educacionais e fortalecer a preparação dos profissionais que trabalham com a primeira infância.

Seminário terá debates sobre natureza, alimentação e aprendizagem

A programação começa pela manhã com cinco workshops simultâneos, abordando temas como movimento e desenvolvimento infantil, organização dos espaços escolares, projetos pedagógicos, alimentação e legislação relacionada ao registro do trabalho educacional.

À tarde, com transmissão on-line, os participantes poderão acompanhar discussões sobre políticas públicas para a primeira infância, autonomia das crianças e a relação entre natureza e aprendizagem.

Entre os convidados brasileiros está Thiago Berto, idealizador da Cidade Escola Ayni, em Guaporé, no Rio Grande do Sul, que abordará como o contato com a natureza pode contribuir para novas experiências educacionais.

Essa maneira de pensar a educação também aparece em outras iniciativas locais. Em agosto deste ano, o JDV contou a história da Escola Luz do Vale, construída por famílias, professores e voluntários em Jaraguá do Sul, que utiliza a Pedagogia Waldorf e valoriza atividades práticas, artísticas e o contato com a natureza.

O seminário é promovido pelo Olim Grupo Educacional, empresa do ecossistema Atóis, com apoio do Conselho Estadual de Educação de Santa Catarina e colaboração do Learning by Languages.

A programação completa e as informações sobre o evento estão disponíveis no site oficial do seminário.

Como isso impacta sua vida?

Para famílias de Jaraguá do Sul, a discussão vai além de novas metodologias de ensino. Ela envolve questões que fazem parte da escolha de uma escola: como os professores estimulam a curiosidade, quanto espaço existe para brincar e experimentar e de que maneira cada criança participa do próprio aprendizado.

O encontro não significa que as escolas tradicionais estejam ultrapassadas, mas coloca em debate práticas que podem ser repensadas para atender melhor às necessidades das crianças. Em uma cidade que cresce e recebe novas famílias, discutir a qualidade da educação infantil é também discutir como será a formação das próximas gerações.

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