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Coluna: A Política e o Problema da Hipocrisia

Vamos ao artigo de hoje filosofar, nada pessoal ou direcionado, apenas um relato sobre um tema tratado pela humanidade em seu auge do conhecimento aberto e científico.

18/05/2022

Por

Professor Pesquisador, Mestre em Educação, Especialista em Planejamento Educacional e Docência do Ensino Superior, Historiador e Pedagogo. Entusiasta da Educação

Coluna: A Política e o Problema da Hipocrisia

Para os gregos, apenas hypokhrinesthai

Hoje quero filosofar, como inspiração trago os atores gregos famosos por atuarem muito bem, conhecidos como hypokhrinesthai, que significava fingimentos ou hoje hipócritas.

A hipocrisia é um dos maiores males do comportamento social humano, que promove a injustiça como guerra e as desigualdades sociais, num quadro de autoengano, que inclui a noção de que a hipocrisia em si, é um comportamento necessário ou benéfico humano e da sociedade.

É bem verdade que vivemos numa floresta densa de teorias e, como toda a teoria é uma suposta verdade, temos que ter toda a cautela quando afirmarmos algo, porque estamos sujeitos a uma nova teoria.

O homem vive em uma selva infestada de um animal perigoso, um animal racional mal chamado de “ser humano”. Um animal essencialmente hipócrita, sendo que a hipocrisia não é uma teoria, é um fato.

A hipocrisia é uma doença humana e social, portanto, dos hipócritas, todos os cuidados serão necessários. Entre todos os animais, assim como os conhecemos, o mais perigoso e o animal racional mal chamado de “homem”.

Friedrich W. Nietzsche disse, o homem é um animal doente.

A hipocrisia é uma doença da humanidade, é a doença que finge ter crenças, virtudes e sentimentos que a pessoa, na verdade, não tem. Tanto do Latim como do grego o significado é o mesmo, ou seja, representar ou fingir. Os hipócritas, são, na verdade, a classe mais nobre das pessoas.

Aqui se o cientista me permitir, eu acrescento os “políticos”, pois pelo que temos presenciado até os dias de hoje, a hipocrisia é um “status quo” do homem público moderno, sem aqui generalizar, julgar ou condenar, apenas constatações.

O Novo Testamento do Cristianismo refere-se especificamente aos hipócritas em vários lugares, em especial quando representando de maneira caricatural a seita dos Fariseus, como, por exemplo, o Evangelho de Mateus capítulo 23, parágrafos 13 – 15:

“Mas ai de vós, escribas e Fariseus, hipócritas! Pois, que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais, nem deixais entrar aos que estão entrando. Ai de vós, escribas, Fariseus, hipócritas! Pois, que devorais as casas das viúvas, sob o pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo. Ai de vós, escribas e Fariseus, hipócritas! Pois, que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, após o terdes feito, o fazes filho do inferno duas vezes mais do que vós.”

O problema da hipocrisia constitui um relevante elemento a ser considerado nas reflexões sobre a natureza do poder político. Contudo, este problema tem sido negligenciado nas análises políticas. De um lado, por razões metodológicas. Estudar hipocrisia significa penetrar no terreno difícil e espinhoso do que é omitido, dissimulado, escondido e negado.

Embora as pessoas, em geral, reconheçam a forte presença da hipocrisia na vida social e política, este reconhecimento é sempre exteriorizado: na fala do sujeito, as atitudes hipócritas fazem parte do mundo dos outros.

Sendo próprio da atitude hipócrita mentir duas vezes: mentir por ser hipócrita e mentir por não poder ser publicamente vista como hipócrita. As intenções conscientes e as versões dos acontecimentos afirmadas explicitamente pelo agente são produto de um permanente trabalho de racionalização, através do qual ele busca tornar aceitável para si e para os demais atos considerados inaceitáveis conforme os valores morais que ele mesmo afirma publicamente.

Em análises realistas da política e da natureza humana, como as de Maquiavel, e críticas da razão política, como as de Foucault, o problema da hipocrisia constitui um elemento central das relações de poder. Mas, a maior parte da tradição do pensamento político desconsidera ou atribui pouca importância ao problema.

As preocupações dominantes estão voltadas ao debate sobre as melhores formas de governo, entendidas como aquelas que possibilitam a realização da finalidade da política de assegurar a justiça, o bem e a felicidade dos homens. O grosso da produção intelectual persegue o objetivo de descobrir as regras jurídicas e os mecanismos institucionais que tornam possível o bom governo, ou de construir explicações convincentes sobre os fundamentos da obrigação política.

Nesta perspectiva, a hipocrisia está dissociada da política. Ela faz parte da má política, das más formas de governos, dos governantes desonestos e mentirosos. A questão da hipocrisia é deslocada para o plano moral da natureza dos regimes e das intenções dos agentes. Desconsidera-se, assim, a eficácia instrumental do recurso hipócrita e sua presença e importância no jogo político.

E são os homens que, a partir das suas percepções das coisas, definem suas verdades, que não são incontestáveis nem eternas, mas se modificam conforme as circunstâncias e o tempo. Górgias de Leôncio leva ao extremo a perspectiva relativista.

Em sua polêmica com os eleatas sustenta que não há ser; o ser, entendido à maneira eleática como imutável, eterno e infinito não existe, uma vez que o infinito não está em parte alguma, nem em si em qualquer outro lugar. Se o ser existisse não seria cognoscível, pois somente poderia ser apreendido pelo pensamento e o pensado é distinto do que é.

Se o ser fosse cognoscível não seria comunicável, em função da diferença entre o pensado e a expressão do que se pensa. O pensamento de Platão e o de Aristóteles divergem totalmente desta tradição. Para os autores a verdade é o oposto da falsidade e do erro, é o absolutamente, reflexões sobre a natureza do poder político.

 

 

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