Siga o JDV - Notícias de Jaraguá do Sul e região no Google
E veja as notícias de Jaraguá do Sul e região com destaque nas suas buscas.
O que um “rolê aleatório” para uma aula de Teologia revelou sobre primeiras impressões e rótulos
Foto: IA/JDV
Estava fazendo um curso e o instrutor sugeriu uma dinâmica quebra-gelo na qual um colega – desconhecido – apresentaria você ao grupo, após breve conversa:
– Esse é o Marcelo! Apesar de já ter lido a Bíblia, ele é ateu.
Eu não tinha dito isso. Falei que não frequentava religião alguma, mas que tinha lido o livro. Deixei quieto. Acredito que até hoje deve ter gente que me vê na fila do supermercado e pensa: “Olha lá, o ateu”.
Cresci ouvindo minha mãe dizer que, assim que se aposentasse, arrumaria uma religião para si. Hoje ela frequenta três, distintas. Anos atrás, eu estava em Porto Alegre e resolvi ligar para meu tio, que entre outras similitudes comigo, é engenheiro e (foi) não religioso:
– Tio! Estou na cidade. Tens compromisso hoje à noite?
– Oi, Marcelinho! Tenho aula de Teologia! Vamos juntos lá, depois vai ter pizza.
Conteúdos em alta
Aceitei o convite para o rolê aleatório. No caminho ele explicou sobre o curso híbrido, com aulas e provas a cada 15 dias e destacou:
– Vou te apresentar o Samuel. O cara é um crânio. Inteligente como tu.
A fama de inteligente vem desde os meus três anos de idade quando passei a usar uns óculos desproporcionais por conta de um estrabismo, resolvido pelo saudoso Dr. Proto.
Quando chegamos à faculdade, o tio precisava fazer uma prova atrasada e disse ao professor:
– Dá uma pro meu sobrinho fazer, também! Ele é escritor!
Bem, fizemos a prova, assistimos à aula de esclarecimentos de dúvidas e fizemos a avaliação daquela semana. E fomos para uma reunião sobre a formatura, em uma sala ao lado.
Quando a reunião estava no fim e as pizzas já estavam chegando, o professor veio até à porta e disse:
– Lamas! Teu sobrinho tirou as notas mais altas das provas.
– Esse guri é um crânio.
Quando estávamos saboreando uma margherita, desfiz a comparação injusta das notas – e com o Samuel – e expliquei que eu tinha uma pós-graduação em Marketing e que, por uns bons anos, fui professor universitário e justamente, naquela noite, a aula e as provas foram sobre Marketing Pessoal.
Parafraseando Mario Quintana (1906-1994): Antes, ser poeta era um agravante. Depois, passou a ser um atenuante. Hoje é uma credencial.
–
Marcelo Lamas é cronista. Autor de Papo no cafezinho, Indesmentíveis, Arrumadinhas e Mulheres casadas têm cheiro de pólvora. Quer contatá-lo? Escreva para: marcelolamasbr@gmail.com.
Marcelo Lamas
Cronista, autor de 4 livros. Sou gaúcho radicado em Jaraguá, há 3 décadas, porém, estou mais para jaraguaense, nascido no RS. Frio, doces, cafés, gatos, livros, futebol e Coca-Cola são as minhas preferências.