Siga o JDV - Notícias de Jaraguá do Sul e região no Google
E veja as notícias de Jaraguá do Sul e região com destaque nas suas buscas.
Coluna: Machu Picchu, um lugar inesquecível!
São sete horas da manhã. Depois de tomar o café da manhã no hotel Tika Wasy (Casa das Flores, em quíchua), aguardava ansiosamente o translado que me levaria até a estação de trem rumo a Machu Picchu, o ponto alto da viagem. As passagens de trem até Aguas Calientes, assim como o embarque no ônibus que conduziria o grupo até a cidadela de Machu Picchu já constavam no pacote turístico.
O trem seguia em velocidade média e foi possível conferir as montanhas, a vegetação e as coloridas e modestas casas dos povoados. Uma solícita trabalhadora de uniforme da Peru Rail passava com um carrinho de bebidas. Na ocasião, a artista e designer Rafa, que sentou ao lado no trem, anunciou que estava de aniversário e propôs que eu, a senhora e o filho dela à nossa frente, todos brasileiros, fizéssemos um brinde. E foi o que fizemos. No dia anterior, bati um dos dedos do pé direito e tomava anti-inflamatório, portanto, tive de me contentar em brindar com um suco… (Por conta desse incidente, precisei comprar um bastão de escalada, o que permitiu mais segurança nas minhas subidas pelo Valle Sagrado).
Terminada a primeira etapa da Expedição Machu Picchu, na descida da estação, fomos orientados a comprar um lanche e alguma bebida para o período da escalada. Em seguida, ônibus montanha acima até a entrada, a 2.400 metros de altitude, com apresentação dos ingressos e documentos.
A sensação de chegar lá e olhar o entorno magnífico das montanhas é indescritível. A emoção tomou conta de mim, com uma sensação de alegria e profunda gratidão por realizar um sonho antigo. À medida em que caminhávamos, o guia local contava detalhes sobre aquele lugar, que por muito tempo foi um refúgio do Império Inca. A distância, o desconhecimento dos caminhos para chegar até lá e a altitude os preservou por muito tempo. E por falar em altitude, tontura e secura do nariz foram os sintomas que senti por lá. É bom estar preparado para se ambientar.
Ao conhecermos os locais onde os incas viviam, os espaços de observação astronômica de rituais, e o conhecimento agregado sobre as construções, nas mudanças das estações, no curso das águas e na incidência do sol, é possível compreender o quanto aproveitaram a fertilidade da terra. De como conseguiram edificar templos e moradas com pedras perfeitamente encaixadas, sem o uso de argamassa, ou outro tipo de liga.
As lhamas são um espetáculo à parte, circulando entre os visitantes, perfeitamente ambientadas, sempre em busca da relva mais verde. Seguras e dóceis ao mesmo tempo, andam de cabeça erguida, não fogem da presença humana e até pousam para as fotos. Consegui fotografar algumas delas, que encantam e causam alvoroço por onde passam.
Conteúdos em alta
Em determinado momento, me sentei para fazer o lanche e assistir o panorama ao redor, com as montanhas adquirindo nuances de verde, e pontos mais claros pela incidência mais forte do sol.
O guia nos avisou que o tempo de visitação havia terminado. Um último olhar antes da despedida daquele lugar místico e misterioso, que vai ficar para sempre na memória. Adiós, Machu Picchu!
Em seguida, o retorno por ônibus, depois um almoço maravilhoso com pratos típicos (esse incluído no pacote). Na sequência, voltar à estação, lotada de estrangeiros, para retornar de trem a Cuzco. Dessa vez, meu roteiro previa outro hotel, o Emperador, no Centro de Cuzco. Cheguei por volta das 21h, cansada pelas caminhadas por Machu Picchu, mas feliz. Havia um certo tumulto na chegada. Apreensiva, gritei o nome da operadora de turismo local e logo apareceu um guia que me aguardava, segurando um cartaz com o meu nome. Que alívio!
Cuzco surpreendente!
Era preciso descansar e ficar atenta ao relógio (o fuso horário de lá marca duas horas antes de Brasília). Na manhã seguinte a programação seria intensa, com as quatro estações no mesmo dia e com visitas guiadas em Cuzco, a 3.399 metros de altitude. Conheci estruturas coloniais de pedra, construídas sobre edificações incas, e sítios arqueológicos, como o Convento San Domingo e o Saqsay Waman.
Ao final da tarde, no encerramento do roteiro, no penúltimo dia, o grupo foi conduzido à Praça de Armas, onde está a magnífica Basílica Catedral de Cuzco, um dos pontos turísticos mais importantes da cidade. A catedral tem fachada renascentista, construída por indígenas no lugar onde antes estava o palácio inca Sutur Wasi. A construção durou quase 100 anos para ser concluída!
No interior da basílica, quadros de grandes dimensões, esculturas entalhadas em cedro e paredes revestidas em ouro, assim como imagens sacras de prata. O guia explicava que parte do ouro e da prata não enviados à Espanha, no período colonial, foram utilizados para compor a parte interna da catedral. Para a época, foi a maneira de introduzir o Cristianismo aos indígenas. Sob o olhar do século 21, para alguns poderia ser considerada como ostentação.
Chega o último dia, que surgiu iluminado pelo sol. Depois do almoço, a operadora de viagens local garantiu a minha ida ao aeroporto de Cuzco com destino à Lima. Ao despachar a mala, o atendente garantiu que seria despachada para o destino final, em Navegantes, Santa Catarina. Então, me tranquilizei quanto à bagagem…
Retorno a Navegantes e… cadê a mala?!
O voo até Lima foi tranquilo. Cheguei com fome, e ao me dirigir à praça de alimentação do aeroporto da capital peruana, uma atendente deve ter me achado com “cara de gringa” e atendeu em inglês. Felizmente, não decepcionei nas respostas e levei uma caixa com macarrons coloridos.
Foram várias horas de espera no aeroporto até o início da manhã, e o jeito foi esperar sem dormir. O voo para Guarulhos, em São Paulo, também foi sem percalços. Mas, novamente, fiquei horas esperando para embarcar ao destino final da aeronave, em terras catarinenses. Ao chegar em Navegantes, uma surpresa desagradável: a mala despachada em Cuzco não tinha vindo, ficou em Guarulhos… Corri para reclamar junto à companhia aérea, e foi aberta uma requisição de extravio. Ali estavam as peças de lã típicas peruanas e a preocupação foi grande. Passada a indignação, não restava outra alternativa a não ser voltar para Jaraguá do Sul e torcer para que localizassem a bagagem. Felizmente, passados alguns dias, a mala foi localizada e entregue no aeroporto de Joinville, intacta. Tudo está bem quando acaba bem, não é mesmo?
Excetuando os perrengues e contratempos, sobrou o melhor: Conhecer o Peru foi uma das experiências mais fascinantes e belas que já tive pelos Caminhos da América do Sul.
Sônia Pillon
Sônia Pillon é jornalista e escritora, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto e Gramática pela Univille. Integra a AJEB Santa Catarina. Fundadora da ALBSC Jaraguá do Sul.