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Coluna: Quem não gosta de animais, não gosta de gente!

Mais do que respeitar a legislação, é preciso identificar o bem-estar que os pets podem proporcionar, o quanto retribuem pelo cuidado e amor que recebem

03/10/2021

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Sônia Pillon é jornalista e escritora, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto e Gramática pela Univille. É Presidente de Honra da ALBSC Jaraguá do Sul.

Coluna: Quem não gosta de animais, não gosta de gente!

Já dizia Arthur Schopenhauer que “a compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter, e quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem”. Em outras palavras, quem não gosta de animais também não gosta de gente…

Está comprovado de que o número de domicílios brasileiros com animais de estimação aumentou nos últimos anos, o que pode ser constatado pelo aquecimento do mercado de pet shops, um mercado que cresce dia a dia.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018 já apontavam que a estimativa de pets era de 139,3 milhões: 54,2 milhões de cães, 39,8 milhões de aves, 23,9 milhões de gatos, 19,1 milhões de peixes e 2,3 milhões de répteis e pequenos mamíferos. O número de gatos se destaca entre os demais, com alta de 8,1% desde 2013. No mundo, o contingente de animais domésticos gira em torno de 1,6 bilhão.

Entretanto, existem contradições em relação ao crescente acolhimento de animais nos domicílios, especialmente quanto às responsabilidades dos tutores. O que dizer dos que compram/adotam, cães e gatos, e em determinado momento os jogam na rua – como se lixo fossem – para passarem fome, sede e frio? Esses animais geralmente passam a ser hostilizados, maltratados, adoecem e morrem, seja por falta de cuidados, ou pela perversidade humana.

E não é preciso ir longe para se deparar com essa triste realidade. Aqui mesmo, em Jaraguá do Sul, basta sair à rua para constatar a quantidade crescente de animais que perambulam em busca de comida, água e abrigo.

Felizmente há os que se importam com essa situação, sem esquecer das Ongs que se dedicam à causa animal. Sensibilizada, a presidente mirim da Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul, Maria Carolini Maes, aluna da Escola Municipal Marcos Emílio Verbinen, propôs um requerimento à Fundação Jaraguaense do Meio Ambiente (Fujama), solicitando informações sobre medidas para o controle de cães e gatos soltos nas ruas. A menina exemplificou que no bairro Estrada Nova, onde mora, essa situação é preocupante, somando-se aos riscos à saúde pública.

Essa semana vivenciei a angústia do sumiço do meu gato Cherrie, que caiu da janela do segundo andar, na Vila Nova, e passou duas noites fora. Quando o encontrei, estava no terreno ao lado do condomínio onde moro, escondido entre os galhos de uma árvore. Ainda bem que os donos da casa são acolhedores e bondosos com animais. Minha maior preocupação, até ser resgatado são e salvo, é que ele fosse enxotado e impedido de retornar ao bloco do residencial onde moro. Sim, porque existem pessoas que não suportam o latido de um cão, o miado de um gato, ou o cantar de um passarinho. Há até os que odeiam o cocoricó do galo…

Nunca é demais lembrar aos desavisados de que os animais são amparados pela legislação, e que a lei federal 14.064/2020, de 29 de setembro de 2020, aumentou a pena para o maltrato de cães e gatos: passou a ser de dois a cinco anos de reclusão, multa e proibição de guarda. Em caso de morte do animal, a pena é acrescida em até um terço.

E em Santa Catarina, desde 5 de janeiro de 2021, duas leis reforçam os direitos dos animais: a lei 18.058/2021, que assegura o fornecimento de alimentação e água aos animais na rua, domésticos e silvestres, por qualquer pessoa em espaço público; e a lei 18.057/2021, que estimula palestras, estudos e debates relacionados à proteção, respeito e bem-estar animal, adoção e posse responsável pelos tutores.

Lembre-se que um animal de estimação jamais avaliará o tutor pelas posses que tem, pela beleza, tampouco pela idade. Só quem conhece é que sabe o quanto os animais retribuem pelo cuidado e o amor que recebem, e quão terapêutica a presença deles pode ser na vida de alguém.

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