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Enquanto Bolsa despenca quase 14%, WEG de Jaraguá do Sul está entre as maiores altas
Resumo da matéria
Em um dia de forte turbulência no mercado financeiro brasileiro, a WEG, multinacional com sede em Jaraguá do Sul, contrariou a tendência de queda da Bolsa de Valores. Enquanto o Ibovespa despencou 13,88%, as ações da companhia avançaram 4,21% e ficaram entre as três maiores altas do índice. A valorização do dólar e a presença internacional da empresa ajudam a explicar o desempenho positivo em um dos piores pregões do mercado brasileiro desde 2020.
A WEG, multinacional com sede em Jaraguá do Sul, foi uma das poucas empresas a terminar em alta em um dia de fortes perdas no mercado financeiro brasileiro. Enquanto o Ibovespa despencou 13,88% nesta segunda-feira (26), as ações da companhia catarinense avançaram 4,21%, colocando a empresa entre as três maiores valorizações do principal índice da Bolsa de Valores.
O desempenho chamou a atenção porque ocorreu durante a maior queda diária do Ibovespa desde março de 2020, quando os mercados foram atingidos pelos efeitos iniciais da pandemia de Covid-19. A forte valorização do dólar e a presença internacional da WEG ajudam a explicar por que suas ações seguiram na direção contrária à maior parte do mercado.
WEG fica entre as três maiores altas da Bolsa
As ações da WEG, negociadas na B3 sob o código WEGE3, encerraram o pregão cotadas a R$ 44,53, com valorização de 4,21%. A companhia ficou atrás apenas da Suzano, que avançou 10,08%, e da Embraer, com alta de 8,89%. A Vale também apresentou desempenho positivo, com valorização de 4,01%.
O resultado colocou a empresa de Jaraguá do Sul entre as exceções de uma sessão marcada por vendas generalizadas de ações. As companhias que lideraram os ganhos possuem operações relevantes no mercado internacional, característica que ganhou importância durante a forte oscilação cambial registrada na segunda-feira.

Por que a WEG subiu enquanto a Bolsa despencava?
Um dos fatores que ajudam a explicar o movimento é a valorização do dólar. A moeda americana encerrou a segunda-feira cotada a R$ 5,403, com alta de 8,21%, a maior valorização percentual diária desde janeiro de 1999.
A exposição internacional da WEG é significativa. Conforme reportagem publicada pelo JDV sobre a expansão da companhia no exterior, aproximadamente 60% da receita líquida registrada em 2025 veio de vendas realizadas fora do Brasil. A empresa mantém fábricas em 18 países e presença comercial em mais de 135 mercados.
Quando o dólar sobe em relação ao real, receitas recebidas em moeda estrangeira podem representar valores maiores na conversão para a moeda brasileira. Esse efeito pode favorecer as expectativas dos investidores em relação a companhias com presença internacional, embora também exista a possibilidade de aumento dos custos de componentes importados e outras despesas.
A dimensão dessa operação pode ser observada na estrutura logística internacional da WEG, que movimenta cerca de 150 mil contêineres por ano. A companhia conecta unidades industriais e mercados consumidores em diferentes continentes, reduzindo sua dependência exclusiva da economia brasileira.
Análise de especialista
Para Luís Pauli da Monvanti Assessoria de Investimentos, o comportamento das ações da WEG pode ser compreendido a partir da exposição internacional da companhia e da mudança na percepção de risco dos investidores.
“O desempenho da WEG chama a atenção porque ocorreu em um momento de forte aversão ao risco no mercado brasileiro. Com a disparada do dólar, empresas que possuem receitas relevantes no exterior, como a WEG, tendem a chamar mais atenção do investidor por seu uma empresa que tem caracteristicas mais defensiva.”

O especialista também ressalta que o resultado positivo de um único pregão não significa que a companhia esteja protegida das oscilações do mercado financeiro.
“É importante observar, porém, que essa valorização não significa que a companhia esteja imune à turbulência. O movimento reflete principalmente a forma como o mercado está reavaliando os riscos e as oportunidades diante do novo cenário econômico”, analisa Luís Pauli, da Monvanti.
A alta da WEG acompanhou o movimento de valorização de empresas com exposição internacional, mas não é possível atribuir todo o desempenho da companhia exclusivamente à variação cambial. Outros fatores, como as expectativas sobre os resultados futuros e as decisões dos investidores, também influenciam os preços das ações.
Bolsa teve negociações interrompidas após queda acentuada
A turbulência começou nas primeiras horas de negociação, no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, confirmada no segundo turno das eleições presidenciais de domingo (25).
O resultado eleitoral provocou uma reavaliação das posições assumidas por investidores antes da votação. Parte do mercado havia se preparado para um resultado diferente e passou a ajustar suas estratégias, em meio a preocupações com as perspectivas fiscais e econômicas do país.
A intensidade das perdas levou a B3 a acionar o chamado circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa registra quedas muito acentuadas. Foi a primeira utilização desse recurso desde março de 2020.
No pior momento do dia, o índice chegou a recuar mais de 17%, atingindo 169.516 pontos. Houve recuperação parcial durante a tarde, mas o Ibovespa terminou a sessão aos 176.608,23 pontos, com queda de 13,88%.
O movimento também foi acompanhado por forte valorização do dólar e elevação dos juros futuros, indicadores que refletem a percepção de risco dos investidores e podem influenciar o custo do crédito no país.


