O que a camiseta t-shirt tem a ver com a vocação têxtil de Jaraguá do Sul
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O que a camiseta t-shirt tem a ver com a vocação têxtil de Jaraguá do Sul

Max Pires

Publicada em 12/09/2026 / Por Max Pires

A T-shirt foi por muito tempo usada como roupa de baixo, até virar peça do dia a dia nos anos 1960. Em Jaraguá do Sul, o movimento encontrou muito espaço!

Resumo da matéria

A T-shirt foi por muito tempo usada como roupa de baixo, até virar peça do dia a dia nos anos 1960. Em Jaraguá do Sul, o movimento encontrou muito espaço!

A camiseta de algodão foi por muito tempo uma “peça de baixo”, usada sob a roupa, escondida. E levou décadas para subir uma camada e aparecer sozinha, sobre a pele. Foi em 1960 que esse hábito se firmou no Brasil; a camiseta T-shirt deixou de ser considerada peça íntima.

Em Jaraguá do Sul, uma cidade que já tinha o tecido industrial montado, essa mudança foi primordial. E essa história é recontada no documento “Jaraguá do Sul, Cento e Cinquenta Anos”, de Egon L. Jagnow.

O historiador explica que com a camiseta virando peça de uso diário, o ramo do vestuário investiu na meia-malha e cresceu até se tornar economicamente expressivo na cidade.

Blusa meia malha Malwee. | Foto: Divulgação

Uma vocação que nasceu antes camiseta

A popularização da camiseta acelerou a indústria têxtil jaraguaense. O documento de Jagnow mostra que, ainda na fase seguinte à emancipação de 1934, a cidade ganhou novos segmentos industriais, entre eles a malharia e uma fábrica de chapéus.

O que muda nos anos 1960 é a escala da demanda. A camiseta de meia-malha de algodão é leve, barata de produzir e fácil de vestir. Quando ela passa a ser comprada e usada todo dia, abre-se um mercado de volume.

Uma cidade com malharia instalada e mão de obra acostumada ao trabalho transformador tinha condição de responder a essa demanda.

Linha de produção da Malwee em Jaraguá do Sul durante as primeiras décadas de funcionamento da empresa.
Registro histórico da linha de produção da Malwee em Jaraguá do Sul, empresa fundada em 1968 e que ajudou a consolidar o setor têxtil no município. | Foto: Grupo Antigamente em Jaraguá

Duas malharias que se firmam na mesma janela

A trajetória da Marisol ajuda a enxergar esse movimento. A empresa foi fundada em 1964 com outro nome, Belmiro Ionta & Cia, e produzia chapéus de praia em fibra natural e sintética, daí o nome que viria depois, juntando “mar” e “sol”.

Em 1968, para diversificar, incorporou a Tricotagem e Malharia Jaraguá e se firmou como indústria têxtil. Anos mais tarde, passaria a produzir artigos em malha de algodão para o vestuário de homens, mulheres e crianças.

A Malwee seguiu caminho próximo. A origem da família remonta a 1906, com a Firma Weege, dedicada a comércio, queijaria e açougue.

Foi em 1968 que a empresa iniciou as atividades de moda, com setor de malharia, tinturaria, estamparia, corte, costura e expedição, montando ali a operação têxtil que conhecemos. As duas não nasceram da camiseta, mas firmaram suas malharias justamente no período em que a meia-malha crescia na cidade.

Primeira fábrica da Marisol em 1964. | Foto: Arquivo/Marisol

A meia-malha por trás de tudo

A meia-malha de algodão é um dos tecidos mais tradicionais da indústria do vestuário. Produzida a partir de uma estrutura de fios entrelaçados em malha, ela tem como características principais a maciez, a elasticidade e o conforto, permitindo que a peça tenha bom caimento e acompanhe os movimentos do corpo.

Por ser leve, respirável e versátil, tornou-se o tecido mais associado às camisetas básicas, além de ser utilizado em outras peças do dia a dia, como roupas infantis, pijamas e regatas. Em Jaraguá do Sul, a popularização da camiseta ajudou a ampliar a demanda por esse tipo de malha e fortaleceu um setor que já encontrava na cidade uma estrutura industrial preparada para crescer.

Como isso impacta sua vida?

Toda vez que um jaraguaense veste uma camiseta de malha, está usando o produto de uma escolha feita há mais de meio século, quando um hábito de consumo encontrou uma cidade pronta para transformá-lo em indústria. O guarda-roupa de hoje carrega essa história.

>> Nota da redação: Ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas como apoio editorial na organização de informações e cruzamento de dados. Porém, a apuração, análise, redação e edição do conteúdo foram realizadas pela equipe jornalística do JDV, com base em registros históricos e informações das fontes consultadas.

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