Matéria Especial
Por amor à natureza: o casal de Guaramirim que protege mais de mil hectares de Mata Atlântica em SC
Há mais de duas décadas, Germano e Elza Woehl dedicam tempo, recursos e conhecimento à conservação da biodiversidade, à pesquisa científica e à educação ambiental.
Resumo da matéria
Germano Woehl Jr. e Elza Nishimura Woehl dedicam há décadas a vida à proteção da Mata Atlântica em Santa Catarina. O casal de Guaramirim é fundador do Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade, criado oficialmente em 2003. A história começou com o amor pela natureza, caminhadas pela Serra do Mar e o sonho de viver cercado por floresta. O nome Instituto Rã-bugio surgiu a partir de uma espécie de anfíbio conhecida pelos antigos moradores de Brüderthal, em Guaramirim. A rã-bugio (Physalaemus olfersii) virou símbolo do trabalho do casal, que usa os anfíbios para incentivar a conservação da natureza. O Instituto Rã-bugio já levou cerca de 70 mil estudantes para atividades de educação ambiental em trilhas interpretativas. As ações do casal ajudaram crianças e adolescentes a conhecerem a biodiversidade da Mata Atlântica e entenderem a importância da preservação dos anfíbios. Germano e Elza mantêm 13 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) reconhecidas em Santa Catarina, com áreas que ultrapassam mil hectares quando consideradas as propriedades em processo de proteção. As reservas ficam em Guaramirim, Itaiópolis e São Bento do Sul e protegem florestas, nascentes e espécies ameaçadas. Câmeras instaladas nas áreas preservadas registraram animais como onças-pardas, jaguatiricas, gatos-do-mato e um comportamento raro de veados-catingueiros. O trabalho do Instituto também envolve pesquisa científica, incluindo estudos sobre anfíbios e biodiversidade da Mata Atlântica. Ao longo da trajetória, o casal enfrentou ameaças, incêndio e um atentado, mas continuou defendendo a conservação da floresta. Em 2026, Germano e Elza receberam o Prêmio Miguel Milano para Conservação da Natureza pelo trabalho desenvolvido na proteção da biodiversidade. O principal desafio atual do Instituto Rã-bugio é garantir recursos para manter as áreas protegidas e ampliar os projetos de educação ambiental. Pessoas e empresas podem apoiar o trabalho do Instituto Rã-bugio por meio do site oficial e de contato direto com a entidade.
O amor pela natureza sempre fez parte da vida de Germano e Elza Woehl. Nos fins de semana, enquanto muita gente procurava descanso dentro de casa ou nas áreas urbanas, eles preferiam subir montanhas, conhecer cachoeiras, acampar e passar o maior tempo possível perto da mata.
Com o passar dos anos, esse amor deixou de ser uma escolha para os momentos de lazer e se transformou em um propósito de vida. À medida que juntavam dinheiro, o casal começou a comprar áreas de floresta para garantir que elas fossem preservadas.
Assim começa a trajetória do Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade, criado oficialmente em 2003, em Guaramirim. Desde então, o trabalho do casal já aproximou cerca de 70 mil estudantes da Mata Atlântica e ajudou a proteger mais de mil hectares de floresta em Santa Catarina.
>> Para contar essa história, o JDV mergulhou na jornada dos ambientalistas para conhecer o trabalho desenvolvido pelo casal e entender como o amor dos dois pela natureza se transformou em um legado para todo o Vale do Itapocu e, também, para Santa Catarina.

Duas histórias unidas pelo amor à natureza
Germano Woehl Jr., hoje com 65 anos, nasceu em Itaiópolis, no Planalto Norte catarinense. Desde criança, gostava de observar os animais e se incomodava ao ver outras pessoas maltratando sapos – seja por medo, nojo ou apenas crueldade.
Na casa dele, esse tipo de comportamento não era aceito. A mãe sempre ensinou os filhos a respeitarem os animais e até proibia o uso de estilingues. Foi uma educação simples, mas que ajudou a formar a maneira como Germano passaria a enxergar a natureza pelo resto da vida.
Elza Nishimura Woehl, de 66 anos, nasceu em Londrina, no Paraná, e cresceu em uma família de agricultores. O contato com o campo também fez parte da infância, embora o cuidado com a floresta não fosse tratado naquela época como é hoje. Como acontecia em tantas propriedades rurais, a mata era derrubada para abrir espaço para a lavoura.
Ao longo dos anos, ela construiu uma relação diferente com aquele ambiente, e começou a ver aquela paisagem como algo que precisava ser preservado.
Os caminhos dos dois se encontraram e a natureza virou parte da rotina do casal. Juntos, percorreram montanhas da Serra do Mar em Santa Catarina, no Paraná e em São Paulo, conheceram a Serra da Mantiqueira, visitaram cachoeiras e acamparam perto de áreas preservadas.
“Foi uma vida inteira de contato intenso com a natureza”, resumem ao JDV.

O dia em que Germano se apaixonou pela Serra do Mar
Entre as lembranças que ajudam a explicar essa relação está uma viagem feita quando Germano tinha apenas 14 anos. Era uma excursão de formatura do ensino fundamental, saindo de Itaiópolis em direção ao litoral.
Durante o caminho, ele viu pela primeira vez as paisagens da Serra de Corupá e da Serra Dona Francisca. Da janela do ônibus, observou os palmiteiros e as árvores enormes que formavam a floresta. Era um cenário completamente diferente daquele que conhecia em sua cidade natal.
Para Germano, foi “amor à primeira vista”. Naquele momento nasceu o sonho de um dia ter uma chácara cercada por mata nativa.
Este desejo começou a se tornar possível anos depois, quando ele passou a trabalhar como pesquisador. Germano é bacharel em Física pela Universidade Federal do Paraná, mestre pela Universidade de São Paulo, doutor pela Unicamp e fez pós-doutorado na Rice University, nos Estados Unidos. Atuou no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da Força Aérea Brasileira até se aposentar.
Com a renda do primeiro emprego, ele e Elza, formada em Educação Física, começaram a procurar uma propriedade. A ideia inicial era comprar uma área em Corupá, mas os imóveis visitados tinham problemas de documentação ou não eram exatamente como o casal imaginava.
Depois de meses de procura, um corretor apresentou uma chácara em Guaramirim. Havia uma casa e, ao redor dela, a mata que os dois tanto queriam preservar. Foi assim que chegaram ao lugar onde, anos mais tarde, nasceria o Instituto Rã-bugio.
Quando o casal conheceu a rã-bugio
Aos poucos, eles foram conhecendo melhor aquele pedaço de mata, os animais que viviam ali e as histórias preservadas pelos moradores mais antigos de Brüderthal. Em uma dessas conversas, Germano perguntou ao vizinho Osvaldo Otto (já falecido), se ele se lembrava de algum anfíbio que fosse comum no passado, mas que havia deixado de aparecer com tanta frequência na região.
Osvaldo não precisou pensar muito antes de falar sobre a rã-bugio, uma pequena rã cujo coaxar era bastante ouvido no passado. Apaixonado por anfíbios desde a infância, Germano ficou intrigado com o relato e passou os meses seguintes tentando descobrir qual espécie os antigos moradores conheciam por aquele nome.
Mas a resposta veio durante uma noite na mata. Ao subir o morro da localidade, Germano ouviu um coaxar diferente, muito parecido com o som emitido pelo macaco bugio. Finalmente, entendeu de qual animal Osvaldo falava: era a espécie Physalaemus olfersii.
“Rã-bugio não foi um nome que nós inventamos. Era um nome utilizado pela comunidade tradicional de agricultores do bairro Brüderthal, em Guaramirim. Então, passamos a adotar esse nome para prestigiar a comunidade e a nossa região, que criou esse nome”, conta Germano.
Anos mais tarde, quando Germano e Elza criaram oficialmente o Instituto, escolheram justamente o nome daquela pequena rã encontrada na mata ao redor de casa. Era uma forma de valorizar a memória da comunidade que os havia recebido e, ao mesmo tempo, representar uma das principais causas do trabalho: fazer com que as pessoas conhecessem os anfíbios, perdessem o medo e o nojo e entendessem a importância deles para a Mata Atlântica.
>> Clique aqui para ouvir o coaxar da rã-bugio.
Quando a floresta virou sala de aula
Antes mesmo da criação oficial do Instituto, Germano e Elza já levavam a natureza para perto das pessoas. Entre 1997 e 1998, começaram a trabalhar voluntariamente com exposições fotográficas, palestras em escolas e atividades ao ar livre.
O foco nos anfíbios não aconteceu por acaso. Além da paixão de Germano por esses animais desde a infância, o casal percebia que sapos e rãs ainda eram cercados por medo, nojo e crenças que frequentemente levavam a maus-tratos.
“Como existe muito preconceito contra os sapos no Brasil, decidimos desenvolver um trabalho de conscientização para acabar com esse preconceito e fazer com que as pessoas perdessem o medo e o nojo”, explica Elza.
Em 5 de abril de 2003, o projeto foi formalizado como Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade. A nova estrutura ajudou o casal a buscar recursos, desenvolver projetos e ampliar o trabalho com escolas de Guaramirim, Jaraguá do Sul e outras cidades da região.
Nas trilhas, a mata se transformava em uma grande sala de aula. Em vez de aprender apenas pelos livros, crianças e adolescentes conseguiam observar árvores, nascentes, aves, anfíbios e as relações que mantêm a floresta viva.
“Trazemos os estudantes aqui para mostrar como a natureza é bonita e frágil também, que precisa ser protegida e que todas as formas de vida merecem compartilhar esse planeta conosco”, afirma Germano.
Até 2019, cerca de 70 mil estudantes passaram por essas atividades. Muitos chegavam com medo dos sapos e voltavam para casa falando sobre a importância de protegê-los. Em alguns casos, eram as próprias crianças que começavam a ensinar os pais.
Uma dessas experiências aconteceu em Corupá, em 2001. Durante uma palestra, uma professora contou que muitos sapos estavam aparecendo mortos nos quintais, cobertos por carrapatos. Germano e Elza recolheram amostras e as enviaram para a Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.
O parasita foi identificado como Amblyomma rotundatum, uma espécie que ataca animais de sangue frio e que não tinha ocorrência natural conhecida no Sul do Brasil.
Com o apoio da Secretaria de Educação de Corupá e da Fundação Grupo Boticário, cerca de 400 estudantes participaram de uma força-tarefa. Quando encontravam um sapo infestado, eles mediam o animal, identificavam o sexo, contavam os carrapatos e retiravam os parasitas seguindo as orientações recebidas.
Mais de mil sapos foram analisados. Além de ajudar na pesquisa, o trabalho mudou a forma como muitas crianças enxergavam esses animais. O medo foi dando lugar à curiosidade e, depois, ao cuidado.
Um trabalho que mudou depois da pandemia
As trilhas com as escolas continuaram por mais de duas décadas, até serem interrompidas durante a pandemia de Covid-19. Como o trabalho dependia diretamente das atividades escolares, a suspensão das aulas também paralisou as visitas ao Instituto.
O impacto foi grande. Os projetos eram financiados principalmente por editais e, sem as atividades, não havia recursos para manter a equipe de monitores. O grupo precisou ser desfeito.
Aos poucos, algumas ações vêm sendo retomadas. Hoje, porém, Germano e Elza concentram boa parte dos esforços na proteção das reservas e nas pesquisas sobre anfíbios feitas em parceria com grupos da UFPR e da Unicamp.
>> Leia também: Instituto de Guaramirim ajuda cientistas a descobrir vírus que ameaça anfíbios da Mata Atlântica; entenda
O Santuário Rã-bugio, em Guaramirim, ainda recebe visitantes na medida do possível. O espaço é dedicado principalmente às escolas, mas pequenos grupos também podem agendar visitas aos sábados. Não há cobrança de taxa para visitação, porque o local não conta mais com estrutura turística completa.
Mesmo assim, não falta o principal: a própria natureza. Em 2025, o casal recebeu uma família da Noruega e grupos de Nova York e do Canadá. Entre os visitantes estavam observadores de aves interessados nas espécies que aparecem no comedouro mantido na propriedade.
Mais de mil hectares protegidos para sempre
Desde que começaram a comprar áreas de mata nativa, Germano e Elza tinham um objetivo: garantir que aquelas florestas nunca fossem derrubadas. Para tornar essa proteção permanente, o casal transformou os terrenos em Reservas Particulares do Patrimônio Natural, conhecidas como RPPNs.
Na prática, isso significa que a propriedade continua pertencendo aos donos, mas passa a ser reconhecida oficialmente como uma unidade de conservação. A obrigação de preservar a mata fica registrada na matrícula do imóvel e permanece mesmo se a área for vendida ou herdada pelos filhos e netos.
“É comum os avós ou os pais gostarem da natureza e preservarem a mata da propriedade, mas os filhos e netos não terem a mesma visão e desmatarem tudo. Transformando a área em RPPN, evita isso”, explica Germano.
Hoje, Germano, Elza e o Instituto Rã-bugio mantêm 13 RPPNs reconhecidas em Santa Catarina. Dez ficam em Itaiópolis, duas formam o Santuário Rã-bugio, em Guaramirim, e uma está em São Bento do Sul. Há ainda outra área já adquirida que deverá se tornar a 14ª reserva.

As 13 reservas reconhecidas somam aproximadamente 973 hectares. Considerando também os terrenos comprados que ainda passam pelo processo de proteção, o conjunto ultrapassa mil hectares de Mata Atlântica.
Mas transformar uma propriedade em RPPN não significa apenas assinar documentos e deixar a floresta intocada. As áreas precisam ser acompanhadas constantemente para evitar a entrada de caçadores, o tráfico de animais, o furto de madeira e invasões nas divisas. É um compromisso permanente, tanto com a mata quanto com tudo o que vive dentro dela.
Reservas guardam árvores centenárias e animais ameaçados
As duas reservas que formam o Santuário Rã-bugio, em Guaramirim, somam 4,64 hectares (mais de 45 mil metros quadrados). Foi ali que grande parte das atividades de educação ambiental aconteceu e onde os estudantes puderam caminhar por trechos de mata preservada.
Em Itaiópolis está a maior parte das áreas protegidas. As dez reservas ficam lado a lado e somam cerca de 954 hectares (em torno de 9,5 milhões de m²). Entre elas estão Corredeiras do Rio Itajaí, Araucárias Gigantes, Refúgio do Macuco, Raso do Mandi e Odir Zanelatto.
Parte dessas florestas nunca passou pela extração de madeira. Ali permanecem árvores de grande porte, como canelas-pretas, canelas-sassafrás, cedros, maiates, baguaçus e figueiras centenárias.
A reserva mais recente fica em São Bento do Sul. A área de aproximadamente 14 hectares, coberta por mata com araucárias, foi doada ao Instituto em 2024 e reconhecida no ano seguinte como RPPN Canto das Arapongas.

Parte das propriedades pertence a Germano e Elza. Outras estão no nome do Instituto e foram compradas com doações ou recebidas já com a mata preservada.
As câmeras escondidas nas reservas
As reservas também guardam cenas que dificilmente seriam vistas por quem passa pela floresta. Câmeras automáticas instaladas entre as árvores já registraram onças-pardas com filhotes, jaguatiricas, gatos-mouriscos e uma família de gatos-do-mato.

Como a ninhada permaneceu perto de um dos equipamentos, os pesquisadores conseguiram acompanhar os filhotes durante sete meses.
Outro registro chamou atenção por um motivo ainda mais especial. Um casal de veados-catingueiros parou diante de uma câmera durante o dia e realizou um ritual de encontro e reconhecimento. Segundo Germano, esse comportamento já havia sido observado em cativeiro, mas ainda não tinha sido registrado na natureza.

As áreas também protegem animais ameaçados, como o gato-do-mato-pequeno, a onça-parda, o veado-mão-curta, o bugio, o pica-pau-de-cara-canela e o papagaio-de-peito-roxo. Muitas das espécies encontradas ali são procuradas por caçadores ou pelo tráfico de animais silvestres.
Quando proteger a mata passou a representar perigo
A escolha de manter a floresta em pé também trouxe momentos difíceis. Germano conta que as ameaças começaram logo nos primeiros terrenos comprados em Itaiópolis, quando algumas pessoas perceberam que os novos proprietários queriam proteger a natureza.
Em uma das primeiras visitas a uma área às margens do Rio Itajaí do Norte, Germano, Elza e duas sobrinhas ainda crianças precisaram atravessar cerca de 100 metros de rio em um bote inflável para chegar ao pequeno barraco da propriedade.
Durante a noite, alguém se aproximou e furou o bote com cinco golpes de faca. Por sorte, o equipamento tinha câmaras de ar separadas e Germano carregava uma bomba e um kit de remendos. Todos usavam coletes salva-vidas e conseguiram voltar pelo rio, mesmo com o bote parcialmente murcho.
Anos depois, em setembro de 2021, um incêndio atingiu cerca de um hectare de vegetação em outra propriedade do casal. Na noite de 28 de junho de 2022, vários tiros foram disparados contra a casa dos dois, em Guaramirim. Os disparos também atingiram placas que identificavam o local como uma reserva. Ninguém ficou ferido.
Apesar do medo e das dificuldades, Germano e Elza continuaram. Para o casal, o vínculo com a floresta e com os animais sempre falou mais alto. É esse sentimento que, segundo Germano, faz valer a pena enfrentar os riscos para proteger os últimos fragmentos de Mata Atlântica que ainda restam.
“Nosso sentimento pelos animais é mais forte e vale a pena se arriscar para salvar o pouco de Mata Atlântica que ainda resta para garantir a sobrevivência deles”, afirma Germano.
Um prêmio que trouxe força para continuar
Em 2026, mais de duas décadas depois da criação do Instituto, Germano e Elza receberam o Prêmio Miguel Milano para Conservação da Natureza. A homenagem foi entregue durante a Conferência Nacional de Unidades de Conservação para a Biodiversidade, em Curitiba, e incluiu R$ 100 mil.
O reconhecimento teve um significado ainda mais especial porque Miguel Milano esteve ligado ao começo dessa caminhada. Ele foi um dos responsáveis pela criação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, instituição que apoiou o trabalho de Germano e Elza quando o Instituto ainda nem existia oficialmente.
“O Prêmio Miguel Milano para Conservação da Natureza nos deu muita motivação para continuarmos nossa luta”, afirma Germano.
Ao longo da trajetória, o casal também contou com o apoio da WEG. A parceria começou com Eggon João da Silva e envolveu funcionários que ajudaram voluntariamente na gestão, no planejamento e na estruturação da ONG. Durante um período, a antiga Faculdade Metropolitana de Guaramirim, mais tarde adquirida pela Uniasselvi, também contribuiu com repasses mensais.
Hoje, encontrar recursos contínuos é um dos principais desafios. Sem financiamento, fica mais difícil retomar os projetos com as escolas, reconstruir uma equipe de monitores e manter todas as áreas protegidas.
Como ajudar o Instituto Rã-bugio
Manter áreas de Mata Atlântica protegidas, cuidar das reservas e continuar levando educação ambiental para crianças e adolescentes depende do apoio de pessoas e empresas. As contribuições ajudam o Instituto Rã-bugio a fortalecer seus projetos de conservação da biodiversidade, pesquisas científicas, atividades de educação ambiental e a proteção de áreas ameaçadas de desmatamento.
Quem quiser conhecer o trabalho ou apoiar a iniciativa pode acessar o site oficial www.ra-bugio.org.br ou entrar em contato pelo e-mail germano@ra-bugio.org.br. Acompanhe as publicações no Instagram @Institutorabugio.

O legado que Germano e Elza querem deixar
Quando falam sobre o futuro, Germano e Elza não pensam apenas em aumentar o número de reservas. A maior preocupação é garantir que o Instituto continue existindo e cuidando da floresta quando eles já não estiverem à frente do trabalho.
O casal também espera que outras pessoas e empresas criem suas próprias RPPNs. Para eles, essa é uma das formas mais concretas de proteger a biodiversidade e os recursos hídricos por muitas gerações.
Em Itaiópolis, novas áreas do entorno das reservas já foram compradas por meio de compensações ambientais determinadas pelo Ministério Público de Santa Catarina. Quanto mais próximos esses terrenos estiverem, maior será o espaço contínuo disponível para os animais viverem e se deslocarem.
“Nossa preocupação é manter o Instituto Rã-bugio sempre ativo e fortalecido para transmitir nosso legado e provocar o engajamento da sociedade pela causa ambiental”, resumem.
A história que começou com um menino protegendo sapos e um casal apaixonado pela mata agora está gravada em mais de mil hectares de floresta. Um pedaço de Santa Catarina que, graças à escolha dos dois, deverá permanecer vivo para sempre.




| Arquivo/Instituto Rã-bugio

Uma trajetória que o JDV viu nascer
E entra aqui uma curiosidade que nos enche de orgulho: o JDV acompanha a história do Instituto Rã-bugio praticamente desde os primeiros dias de sua criação. Há 27 anos, o jornalista Flávio José – fundador e ex-proprietário do jornal – foi um dos primeiros profissionais a contar sobre o trabalho de educação ambiental desenvolvido por Germano e Elza.
Além disos, o JDV também esteve presente na fundação oficial do Instituto Rã-bugio, em 5 de abril de 2003. Ao longo dos anos, o jornal acompanhou projetos, ações e conquistas que ajudaram a transformar aquele trabalho voluntário em uma referência na conservação da Mata Atlântica.
Como isso impacta a sua vida?
Para quem vive no Vale do Itapocu, essa história também ajuda a olhar de outra forma para a Mata Atlântica que ainda cerca nossas cidades. Proteger esses fragmentos significa cuidar dos animais, das árvores e de toda a biodiversidade que depende deles, mas também proteger o futuro, garantindo que as próximas gerações ainda possam encontrar parte dessa natureza viva.
>> Nota da redação: Ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas como apoio editorial na organização de informações e cruzamento de dados. Porém, a apuração, análise, redação e edição do conteúdo foram realizadas pela equipe jornalística do JDV.
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