Pretzel: tradição centenária da gastronomia alemã nas festas de SC; chef Alex Caputo ensina a receita
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Pretzel: tradição centenária da gastronomia alemã nas festas de SC; chef Alex Caputo ensina a receita

Alex Caputo

/ Por Alex Caputo

Da Europa medieval às festas germânicas brasileiras, o pretzel atravessou séculos preservando sua identidade e conquistando novos sabores.

Quem visita uma festa alemã certamente encontra um pão de formato inconfundível: dourado, macio por dentro e levemente crocante por fora. É o pretzel, conhecido na Alemanha como Brezel ou Brezn.

Muito mais do que um acompanhamento para cervejas, ele representa uma tradição da panificação europeia e carrega aspectos religiosos, culturais e sociais da história alemã.

Uma origem cercada de histórias

A origem exata do pretzel não é conhecida. Uma das versões mais difundidas atribui sua criação aos monges cristãos da Europa medieval, por volta do século VII.

Segundo essa tradição, os monges moldavam pequenas porções de massa em formato semelhante aos braços cruzados durante a oração. O pão seria oferecido às crianças como recompensa pelo aprendizado das orações e também consumido durante a Quaresma, período de restrições alimentares.

Embora essa história seja bastante conhecida, não há comprovação definitiva de que os monges tenham inventado o pretzel.

O que se sabe é que o pão ganhou importância especialmente no sul da Alemanha, onde se tornou símbolo da atividade dos padeiros e da tradição gastronômica regional.

O pretzel na gastronomia alemã

Na Alemanha, especialmente na Baviera e na Suábia, o pretzel conquistou um lugar de destaque na alimentação tradicional.

Uma das versões mais conhecidas é o Laugenbrezel, preparado com massa fermentada que recebe um banho alcalino antes de ir ao forno. Esse processo proporciona sua característica coloração castanho-dourada, superfície brilhante e textura particular.

Tradicionalmente, é finalizado com sal grosso e servido com mostardas, queijos, embutidos e cervejas.

Pretzels tradicionais alemães com crosta dourada e sal grosso, dispostos em uma cesta de vime.
Foto: RitaE/Pixabay

Sua simplicidade é parte de seu encanto: farinha, água, fermento e sal são suficientes para produzir um alimento que atravessou gerações e permanece presente na identidade culinária alemã.

Da Alemanha às festas brasileiras

Com a imigração alemã, muitas tradições culturais e gastronômicas foram incorporadas à formação das comunidades do sul do Brasil.

Em Santa Catarina, essa herança aparece na arquitetura, na música, nas danças folclóricas, nas sociedades de caça e tiro e, naturalmente, na gastronomia. Em Jaraguá do Sul, a colonização alemã teve início em 1876. Em 1906, surgiu a primeira Sociedade de Atiradores, conhecida como Schützenverein.

Essa tradição ganhou expressão popular com a Schützenfest, cuja primeira edição aconteceu em 1989. A festa reúne música, dança, competições de tiro, trajes típicos, cerveja e gastronomia, preservando importantes manifestações da cultura germânica.

Nesse ambiente, o pretzel encontrou seu espaço natural. Sua presença ajuda a compor a experiência gastronômica das festas e aproxima as novas gerações de uma tradição que atravessou o Atlântico.

Ao longo do tempo, a receita também ganhou adaptações ao paladar brasileiro. Além da versão salgada tradicional, os pretzels doces, finalizados com manteiga, açúcar e canela, conquistaram espaço entre os apreciadores.

É assim que a gastronomia preserva sua história: mantém suas raízes, mas também acompanha os hábitos e as preferências de cada lugar.

Uma tradição que pode ser feita em casa!

O pretzel demonstra que a boa gastronomia não precisa ser complicada. Com ingredientes simples e alguns cuidados no preparo, é possível reproduzir em casa uma versão saborosa desse pão tradicional.

O segredo está em trabalhar bem a massa, respeitar a fermentação e realizar o banho de bicarbonato antes de assar.

A seguir, uma receita prática para compartilhar com a família e levar um pouco da tradição alemã para a mesa.

RECEITA: PRETZEL ALEMÃO CASEIRO
Por Chef Alex Caputo

Rendimento: 8 unidades
Tempo aproximado: 1 hora e 45 minutos
Dificuldade: Fácil

Ingredientes da massa

  • 500 g de farinha de trigo;
  • 275 ml de água morna;
  • 7 g de fermento biológico seco;
  • 10 g de açúcar;
  • 10 g de sal;
  • 30 g de manteiga em temperatura ambiente.

Para o banho de bicarbonato

  • 2 litros de água;
  • 50 g de bicarbonato de sódio.

Para finalizar

  • Sal grosso ou sal em flocos a gosto.

Modo de preparo

1. Prepare a massa

Misture a água morna, o fermento e o açúcar. Deixe descansar por 5 minutos.

Acrescente a farinha, o sal e a manteiga. Misture até formar uma massa e sove por 8 a 10 minutos, até ficar lisa, homogênea e elástica.

2. Deixe fermentar

Coloque a massa em uma tigela, cubra e deixe descansar por 45 a 60 minutos, ou até praticamente dobrar de volume.

3. Modele os pretzels

Divida a massa em oito porções iguais.

Faça rolinhos de aproximadamente 50 centímetros, deixando a parte central um pouco mais grossa e as extremidades mais finas.

Dobre cada rolinho em formato de U, cruze as pontas duas vezes e leve-as até a parte inferior, pressionando para fixar o formato tradicional.

Coloque em uma assadeira e leve à geladeira por 15 minutos.

4. Prepare o banho de bicarbonato

Ferva os dois litros de água com o bicarbonato de sódio.

Com cuidado, mergulhe os pretzels, um ou dois por vez, durante aproximadamente 30 segundos de cada lado.

Retire com uma escumadeira e deixe escorrer bem.

Esse procedimento ajuda a desenvolver a coloração e a textura características do pretzel.

5. Asse

Disponha os pretzels em uma assadeira forrada com papel-manteiga (aquele antiaderente que você encontra na GK DISTRIBUIDORA ali na Vila Nova). Finalize com sal grosso ou em flocos.

Leve ao forno preaquecido a 220 °C por 15 a 18 minutos, até ficarem bem dourados.

Retire e deixe descansar alguns minutos antes de servir.

#DicadoChef: Para uma versão doce, pincele os pretzels ainda mornos com manteiga derretida e passe em uma mistura de açúcar com canela.

O segredo de um bom pretzel está na simplicidade: ingredientes de qualidade, massa bem trabalhada e respeito ao tempo de preparo.

Afinal, a boa gastronomia não exige ingredientes sofisticados. Exige conhecimento, técnica e respeito pela tradição.

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