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Coluna: Você sabe o que é etarismo?

A discriminação etária acontece na vida social, na família e no trabalho. Não faça pré-julgamentos com base na idade. Você poderá cometer injustiças.

31/07/2022

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Sônia Pillon é jornalista e escritora, formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduada em Produção de Texto e Gramática pela Univille. É Presidente de Honra da ALBSC Jaraguá do Sul.

Coluna: Você sabe o que é etarismo?

A palavra etarismo passou a ser utilizada com frequência nos últimos tempos, mas muitos ainda a desconhecem e, pior ainda, reforçam o seu significado com falas ofensivas, pejorativas, e atitudes discriminatórias. Nada mais é do que o preconceito em relação aos idosos de maneira geral, relacionados à saúde, à capacidade intelectual e produtiva, ao empenho é à fragilidade.

É triste constatar, mas a discriminação etária ainda está bastante presente entre nós. E isso acontece na vida social, nas interações familiares e, é claro, no ambiente de trabalho. Além da dificuldade maior para encontrar emprego e se recolocar no mercado, os adultos mais velhos muitas vezes enfrentam restrições para conseguir promoções. Além disso, recebem salários mais baixos.

E em se tratando das mulheres, que são muito mais cobradas em relação à aparência e à jovialidade, a situação é ainda mais dramática. Numa sociedade que supervaloriza a juventude, nem sempre uma boa formação e experiência profissional são suficientes.

E possivelmente para não serem estigmatizadas e discriminadas é que muitas mulheres omitem a idade e se preocupam tanto com a maneira com que se apresentam em público. Charges, memes e piadas reforçam esse comportamento preconceituoso.

Essa semana assisti um vídeo de humor focado em uma mulher no dia do aniversário de 60 anos.  Ela se mantinha em uma fila comum de atendimento, mas, ao descobrirem a sua data de nascimento, as pessoas à volta passaram a insistir para que utilizasse a fila para idosos, alegando que poderia ser “perigoso” para a saúde dela se manter ali. Tanto insistiram sobre a sua “fragilidade” que a deixaram indignada ao se sentir vítima do etarismo. Na sequência, veio a ambulância e a colocaram no oxigênio, enquanto ela se debatia de raiva, protestando. Por fim, acabou morrendo…

Confesso que não consegui rir da “piada”. Bom seria que todos que assistissem esse vídeo “humorístico” se conscientizassem do absurdo que é perpetuar esse comportamento na vida real.

Lembro que certa vez ouvi de um cabeleireiro que ter cabelo branco, no homem, é sinal de charme, ao passo que na mulher, a torna “feia, envelhecida”…

Situação distinta ocorre entre os orientais, onde as pessoas a partir 60 anos são altamente respeitadas pela experiência e saberes acumulados. Lá, pessoas da terceira idade são constantemente consultadas e valorizadas em suas opiniões.

Outra constatação é que o número de idosos atuando em novelas e filmes no Ocidente é inexpressivo. Já nas produções do Oriente, sempre que aparecem anciãos, eles trazem mensagens e ensinamentos inestimáveis que levam à reflexão.

Portanto, aí vai a dica: não se deixe levar por ideias pré-concebidas. Não faça pré-julgamentos, não seja excludente com base na idade de alguém. Se fizer isso, poderá cometer uma grande injustiça. Fuja do etarismo!

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